PONTO DE REFERÊNCIA

 

Acabamos de voltar das férias. Foram dez dias morando na beira do mar… sol, água transparente, brisa agradável, mas inconstância de ondas. O único surf possível foi sobre uma bancada de pedras bem em frente da casa. As ondas estavam pequenas e cheias, mas pela força e perfeição com que quebravam foram suficientes para alegrar um velho surfista, sua filha e seu filho.

Quem já surfou sobre uma banca de pedras (ou corais) sabe que a onda sempre quebra no mesmo lugar. Com a bancada longe da praia e a influência de uma correnteza, é extremamente necessário que o surfista encontre pontos de referência para estar no lugar certo no momento em que entra a série. Caso contrário, a sessão se resumirá em remar para se posicionar a cada vez que a série entra.

Em nosso caso, depois de um pouco de observação encontramos três pontos de referência: uma árvore, uma pedra exposta no mar e uma antena de operadora de celular. Pronto, com estes pontos de referência sempre estávamos no lugar correto e o surf estava garantido. Isso me fez pensar na vida cristã. Pela fé em Jesus Cristo, recebemos uma nova vida e para vivê-la da maneira correta precisamos de um ponto de referência. Qual seria?

Toda pessoa cristã vai responder: Jesus Cristo! E está correto.

Mas já perceberam como facilmente “correntezas” nos tiram desta referência?

Uma destas “correntezas” é o hábito, muito comum entre os cristãos, de se comparar com as outras pessoas. Quando se pergunta sobre a santificação gostamos de fazer três listas:  a das coisas boas que fazemos; a dos pecados que não cometemos; e a das pessoas piores do que nós (do ponto de vista moral).

Com estas três listas, e especialmente com a terceira, nos iludimos que a vida com Cristo “vai muito bem, obrigado”. “Não sou como os ladrões, assassinos e corruptos”; “não sou idólatra ou ateu como tanta gente é”; “não frequento lugares reprováveis como os outros fazem”; “não me visto de maneira vergonhosa como aquele ou aquela”; “não tenho a boca suja como os colegas”… e por aí vai.

Se conseguimos fazer uma lista assim é um bom sinal. Há, de fato, frutos da ação do Espírito Santo em nossa vida. Mas, se ao fazermos esta lista, acharmos que a vida cristã “está bem, obrigado”, precisamos lembrar que o ponto de referência da vida cristã é Jesus Cristo e não as outras pessoas. A comparação de nossa vida deve ser com Jesus Cristo e não com as outras pessoas.

A direção da vida cristã dever ser a busca por ser mais parecido com Jesus Cristo e não a busca para ser diferente dos perdidos. É claro que quem buscar ser mais parecido com Jesus Cristo será, automaticamente, diferente dos perdidos. Mas quem buscar ser diferente dos perdidos, não será, automaticamente, parecido com Jesus Cristo.

Na Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo menciona o propósito que Deus tem para os que lhe pertencem: “a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho” (Romanos_8.29). Não esqueçamos, esta é a referência! Não deixemos “correntezas” nos tirar do relacionamento correto com Deus e com nosso próximo.

Por: Marcelo Jung

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