PARA NÃO “FALTAR BRAÇO”

Por causa da distância do mar e pelos compromissos de trabalho, fiquei seis meses sem poder surfar. Quando pintou a oportunidade, estava ansioso. Todo dia checava a previsão. Alguns dias, mais de uma vez e em mais de um site. Chegando na praia, ondas ideais… infelizmente, ideais para um “força barra” bem forçado.

Mesmo assim, entrei na água. Estava gelado. As séries eram pequenas e sem força, de vez em quando encaixava uma maiorzinha. Mas estava difícil o posicionamento. Ao contrário das ondas, a correnteza estava forte e não deixava ficar lá onde entravam essas raras ondas maiores (ou menos menores). Senti que estava “faltando braço”. Sentado fora da correnteza, e sem alcance das merrecas maiores, constatei que durante os seis meses sem onda eu até me preparei para o reencontro com o mar. Fui trabalhar de bike para não perder a força nas pernas, mantive uma constante prática com o surfskate, treinando botton turns, snaps, carves… mas tudo pensando num mar maior, e agora “faltava braço” para remar atrás das menos menores…

Ali, sentado no outside, pensei sobre a importância de estarmos preparados para toda e qualquer situação na vida cristã. E lembrei do capitulo 3 de Atos dos Apóstolos. Nele, temos o relato de que Pedro e João enfrentaram a primeira dificuldade sofrida pela recém-nascida igreja de Jesus Cristo.

Após curar, em nome de Jesus, um coxo, na entrada do Templo, e depois de uma pregação corajosa testemunhando de Jesus Cristo, Pedro e João foram presos pelos guardas do Templo e foram levados diante do mesmo tribunal que havia condenado Jesus, injustamente, à morte. Pedro e João, foram interrogados e ameaçadas, mas, sem negar a Cristo, tiveram as atitudes e as palavras certas, e conseguiram se sair muito bem naquela situação. Não lhes “faltou braço”. E por quê?

Porque estavam bem preparados. No capítulo 2, versículo 42, lemos a seguinte descrição da igreja: “todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações”.

A perseverança nos ensinamentos dos apóstolos, que é a Palavra de Deus para nós hoje, a perseverança na comunhão, que é a reunião e a prática do amor cristão com os irmãos e irmãs na fé, e a perseverança na oração, os havia deixado preparados para qualquer situação. O Espirito Santo, conforme a promessa de Jesus, deu a eles o que precisavam naquela hora de necessidade.

Isso me fez perguntar e eu reparto a pergunta. Estamos nos preparando para todas as situações? Como está a busca pela palavra de Deus? Como está a comunhão e a prática do amor cristão com os irmãos e a irmãs? Como está nossa vida de oração?

Que valioso é poder viver em comunidade, poder estudar e conhecer a palavra de Deus e buscar a Deus em oração. Que o Senhor nos ajude a reconhecer esse privilégio e a não desleixar destes elementos tão necessários para a vida cristã. Perseverando neles, podemos ter certeza de que nos dias em que precisarmos, não vai “faltar braço”.

 

Por: Marcelo Jung

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