Ensinem e instruam uns aos outros

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Ensinem e instruam uns aos outros com toda a sabedoria…

Algo que me chama atenção é o grande número de escolas de surf que existe hoje em dia. Em quase todas as praias mais movimentadas tem uma ou mais escola de surf.

Isso me impressiona porque há 28 anos atrás quando meu irmão mais velho e eu começamos a surfar, quase não existia surfistas nas praias… que dirá escolas de surf.

Para nós, tudo começou com uma revista de surf que meu irmão conheceu com o professor do curso técnico que ele estava frequentando. Viu as fotos e pensou: “isso eu quero fazer”. No final do mês, com o pequeno salário de aprendiz de eletricista, ele comprou duas pranchas de isopor. Uma para ele e outra para mim. E lá fomos nós, 59 Km até a praia mais próxima de nossa casa, surfar pela primeira vez. Não deu muito certo para o surf, mas para caldos…

De volta para casa, meu irmão pensou: “tem alguma coisa errada”. Voltou a consultar a revista e entendeu que o problema eram as pranchas. E pouco tempo depois, lá estávamos no mar com nossas “tri-fins” 5’11’’, de espuma de poliuretano e fibra de vidro. Melhorou bastante, mas não deu muito certo… foram alguns meses indo todo final de semana até que conseguimos ficar em pé pegando espuma.

Alguns lances pitorescos: pensávamos que toda vez que íamos surfar, precisávamos trocar a parafina… e ia um bastão por vez para preencher o deck todo; não fazíamos ideia do que era uma onda boa ou ruim e remávamos em tudo o que aparecia; pensávamos que a camiseta de lycra ia por cima da roupa de borracha (com aquela costura de esfolar o couro) para não sujar a roupa; não tínhamos ideia de como dar o “joelhinho” e furar a onda; não sacávamos nada de correntezas e canais para entrada… foi quase um ano, indo todo final de semana, para pegar a primeira parede…

Hoje, pensando nessa aventura, constato qual foi o maior problema: não tínhamos ninguém que soubesse surfar para nos ensinar. Não havia ninguém para dar as dicas, repassar seus conhecimentos e sua experiência… tivemos que aprender pelo caminho mais longo.

Há 7 anos, quando comecei a ensinar minha filha a surfar, no primeiro dia, ela, uma garotinha de 5 anos, ficou em pé na prancha e correu a onda toda até a areia… ela estava no lugar certo, usando a prancha certa, foi colocada na onda certa e orientada com os “berros certos” de um pai com 21 anos de experiência de surf que estava repartindo o que sabia e o que experimentou. Isso facilitou muito para ela.

Essa história faz pensar na grande riqueza que temos na comunidade cristã: os irmãos e as irmãs mais experimentados na fé.
Deus teve uma grande ideia ao congregar numa mesma comunidade pessoas de diferentes gerações e com tempo de caminhada de fé diferenciado. Pois, com isso, presenteou às gerações mais novas, ou aos irmãos e irmãs mais novos na caminhada de fé, com pessoas que podem repartir seus conhecimentos
sobre Deus e suas experiências com Deus, o que, certamente, pode contribuir para o desenvolvimento espiritual dos mais novos.

Quando observamos a história de vinte séculos da igreja cristã, percebemos que essa dinâmica esteve sempre presente. Quem chegava a fé e experimentava a Deus, passava seu conhecimento e experiência adiante, e outros chegavam a fé e experimentavam a Deus. E, por sua vez, estes passavam adiante seu conhecimento e experiências e novas pessoas chegavam a fé… e o anúncio do Evangelho da salvação, o chamado à fé em Jesus Cristo e o convite à experiência pessoal com Deus chegou até nós hoje, passando de geração a geração.

É um privilégio ter irmãos e irmãs mais experimentados e poder buscar neles auxílio em nossa caminhada de fé. Muitas vezes, o caminho que estamos fazendo, – diante de decisões, lutando com tentações, passando por provações, lidando com dúvidas e questionamentos… –, já foi feito por eles. E tanto com os acertos, como com os erros que tiveram, podem nos ajudar.

A experiência dos mais experimentados, de um Deus fiel e verdadeiro, pode, aos mais novos, fortalecer a confiança em Deus; renovar esperança em Seu auxílio; fazer perceber Sua presença constate e Seu amor incondicional.
Essa riqueza presenteada por Deus à comunidade cristã nos conduz em duas direções.

A primeira: aproveitar a bênção que são os irmãos e irmãs mais experimentados na fé e buscá-los para aconselhamento, confissão, instrução, correção e oração.
E a segunda: ser bênção para os irmãos e irmãs mais novos que nós na fé, ou seja, viver um relacionamento real, pessoal e próximo com Jesus, de modo, que nossa experiência com Ele sirva de auxílio para os mais novos.

Assim, a comunidade cristã estará mais viva. Assim, continuaremos com dinâmica que trouxe o evangelho até nós: passando de irmãos e irmãs mais experimentados para irmãos e irmãs menos experimentados.

“Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês! Ensinem e instruam uns aos outros com toda a sabedoria. Cantem salmos, hinos e canções espirituais; louvem a Deus, com gratidão no coração. E tudo o que vocês fizerem ou disserem, façam em nome do Senhor Jesus por meio dele agradeçam a Deus, o Pai.” (Colossenses 3.16-17)

Por: Marcelo Jung

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